Boatos: o teste dos 3 filtros

A história dos 3 filtros me lembra a aula que eu tive que dar aos meus funcionários sobre os boatos. De fato, na época da minha segunda empresa, eu tive que ficar com uma parte do pessoal de uma outra empresa, assim como os equipamentos e o estoque de matérias-primas.

Você pode imaginar os boatos que ocorreram no início. Irritado pela circulação de informações infundadas e desinformações que acabava reduzindo muito a qualidade e a produtividade, eu resolvi trancar todo mundo na sala de reuniões para combater esta hidra escondida.

Eu lembro que todos estavam sentados em cadeiras alinhadas, como se estivessem em um cinema. Eu nunca tinha feito isso antes e eles ficaram realmente surpresos, especialmente quando eu fechei a porta dizendo “Ninguém sai até que o problema seja resolvido”.

A primeira pergunta, óbvio, foi: “Qual problema? ”. Peguei um marcador e escrevi no flipchart em maiúsculas e em vermelho: O BOATO. Instantaneamente, todo mundo sorriu e ficou retinho, com um sorriso que dizia: “Não fui eu, foi o outro. Eu sou puro, inocente. ”

Eu quase ri alto vendo esses rostos inocentes! Devo dizer que eu pessoalmente tinha passado por esse tipo de reação em algumas reuniões executivas em meu antigo emprego. Isso me permitiu lembrar que é uma atitude totalmente infantil, mas muito real para os adultos.

Então, depois daqueles sorrisos e em vez de moralizá-los ou tentar encontrar os culpados, eu simplesmente perguntei sobre o boato. Como um boato nasce, se propaga e, in fine, como acaba sendo destrutivo em todos os aspectos.

Então pedi que cada um compartilhasse a sua experiência com um boato à sua custa, fora da empresa. Uma pessoa falou, depois uma outra, e depois de um tempo, todos concordaram que muitas vezes esses boatos eram “porcarias” bem longe da verdade.

Uma vez esse fato estabelecido, nós juntos determinamos quais perguntas cada um devia se fazer antes de propagar informações para uma outra pessoa da empresa. Foi muito construtivo, mesmo que alguns e algumas estivessem totalmente contra a ideia de aplicar as regras dentro da empresa.

Como resultado dessa reunião e durante uma semana, eu fiz perguntas básicas para qualquer pessoa que tentava transmitir informações para mim. Qualquer líder de empresa deve dar o exemplo, e é claro que eu impus para mim mesmo essas perguntas antes de compartilhá-las.

Então aqui está, através desta história transmitida pelo Platão, o teste dos 3 filtros de Sócrates.

Na época da antiga Grécia, Sócrates tinha uma grande reputação de sabedoria. Alguém veio um dia para encontrar o grande filósofo e lhe disse:

– Você sabe o que eu acabei de descobrir sobre o seu amigo?

– Um momento – respondeu Sócrates. – Antes de me dizer, gostaria que você fizesse um teste, o dos três filtros.

– Os três filtros?

– Sim – respondeu Sócrates. – Antes de falar coisas sobre os outros, é bom ter tempo para filtrar o que você gostaria de dizer. Isso é o que eu chamo de teste dos três filtros.

O primeiro filtro é o da Verdade.

– Você já verificou se o que você quer me dizer é verdade?

– Não, só ouvi falar…

– Bom. Então você não sabe se é a verdade.

Vamos tentar filtrar de outra maneira usando o segundo filtro, o de Bondade.

– O que você quer me ensinar sobre meu amigo, é algo bom?

– Não, bem pelo contrário!

– Então – continuou Sócrates – você quer me contar coisas ruins sobre meu amigo e você nem tem certeza que são verdadeiras…

Mas tudo bem, você ainda pode passar o teste porque tem um terceiro filtro, o da Utilidade.

– É útil me contar o que você ouviu dizer sobre o meu amigo?

– Não, na verdade não muito…

– Então – conclui Sócrates – se o que você tem para me contar não é verdadeiro, nem bom, nem útil, por que você quer me contar?

Então, se você precisar pôr um pouco de ordem, não hesite em usar essa pequena história que ninguém ousará questionar. É simples e especialmente eficaz quando você o aplica a si mesmo. Você só precisa lembrar a fórmula “VBU”: Verdadeiro, Bom e Útil.

E finalmente, para responder à última pergunta da história “por que você quer me contar?”, a resposta é muito simples: é o nosso ego querendo brilhar e se mostrar! Essa técnica é uma maneira de verificar se realmente somos construtivos em nossos relacionamentos…

Laurent DUREAU

Artigo originalmente publicado no blog Booster Votre Influence no dia 27 de março de 2008 e atualizado no blog 345D no dia 14 de fevereiro de 2012. Traduzido do francês.

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