Entre o Amor e o Medo

Para a grande maioria de nós, a vida é confusa porque gostaríamos de viver na paz e no amor, porém apenas colhemos desconfiança, julgamento e guerras. Gostaríamos de impor nossa escolha, mas parece que a famosa regra do livre-arbítrio permita que ambos o pior e o melhor floresçam em nossa realidade.

Como é que chegamos neste ponto? Onde está a fonte dessas insatisfações? Como é possível sair desse estado sem sobrepor essa lei inevitável do livre-arbítrio, da liberdade de expressão, de uma certa noção de liberdade, sem cair no despotismo, na ditadura de um poder, partido político, lei, moda, cultura, educação ou religião?

Olhando para a bagunça que o mundo se tornou e para todo o sofrimento ao nosso redor, parece que essa pergunta não tem resposta. Onde está aquele amor que faria a Terra se tornar um Paraíso, um refúgio de paz onde todos floresceriam em um ambiente propício à sua unicidade?

A resposta é tão simples que é quase impossível aceitá-la. A expressão “É simples demais para ser verdade” prova mais uma vez sua veracidade. Então, você realmente quer ouvir essa resposta que se reduz a uma palavra?

Uma palavra de 9 letras. Não. Não é possível: milhares de pesquisadores, filósofos, e religiosos têm estudado o assunto há séculos, milênios, porém mais de 7 bilhões de seres humanos hoje ainda não sabem por que e como nós chegamos nesse ponto.

Onde está o erro? Ele também se reduz a uma outra palavra, essa de 5 letras, a palavra PODER. Verbo de ação por excelência, essa palavra toma uma outra cor quando é usada como substantivo: o poder. Nós temos o poder, ou pelo menos a capacidade de ter poder. Mas ter poder sobre o quê, sobre quem?

Originalmente, essa capacidade foi dada para tomar o poder sobre aspectos escuros de nós mesmos, mas por algum “truque de mágica”, ela se tornou nas nossas mãos um instrumento para tomar o poder do lado de fora, sobre o outro, sobre a Natureza. O que deveria ser feito dentro de nós se espalhou para fora de nós.

O que era um atributo para nos fazer crescer tornou-se uma arma para controlar os outros. Então, em vez de lutar com nossos próprios demônios internos, imaginamos demônios externos. Assim, o que era no início uma benção se tornou um desastre.

Alguns humanos convenceram os outros que o “mal” estava fora deles. Ele estava no outro, no vizinho, nas outras tribos, nos outros povos, nas outras religiões. Para isso, inventamos os Deuses, os da paz, mas também os da guerra. Havia santos e também demônios. Havia Deus e havia o Diabo.

Com essa crença, centenas de milhões de pessoas morreram em nome de Deus ou da liberdade. Todas morreram para combater o Mal. E todos os outros, os sobreviventes, sofreram com essas guerras intermináveis ​​e repetitivas, que traziam um sofrimento imenso. A crença hoje de que existem entidades malignas, maléficas, anjos caídos, deuses vingativos que nos querem mal, é tão óbvia para todos que nos tornamos tão medrosos quanto ovelhas.

Desde o início da existência dos homens, alguns que tinham entendido o mecanismo repetiram: “O que acontece fora de você é apenas a projeção do que está em você”. O mundo, seu ambiente e seus amigos são apenas a projeção de seu mundo interior. Daí a segunda citação essencial: “Ajuda-te e o Céu te ajudará”. Aparentemente, a solução dada permaneceu de maneira geral incompreendida e, portanto, inaplicável.

Ninguém além de você mesmo poderá suprimir os medos e crenças que existam em você. Ninguém amará você tanto quanto você se amará. Ninguém poderá fazer você se sentir confiante além das suas crenças em suas próprias qualidades.

Então, que cada um se aceite como é. Que cada um mude o que pode ser mudado por dentro graças à sua vontade própria, porque podemos, temos esse poder. E as coisas que não podemos mudar, nos aprenderemos a aceitá-las e a ficar em paz com elas.

Se seus pais são ruivos, então aceite o fato de que você não será capaz de mudar a cor de sua pele e suas inúmeras sardas. Não vai dizer ao oleiro que o pote que você é foi mal feito. Ele fez o seu melhor com os elementos que ele tinha.

Ame seus pais por quem eles são. Eles lhe deram o que poderiam lhe dar, mas você não é obrigado a seguir suas crenças, suas limitações, sua religião. Você pode reprogramar praticamente qualquer coisa quando se tornar adulto e autônomo.

Se você foi restringido, então vá além e dê um foda-se para o refrão “essa é a tradição”. A tradição é apenas um estilo de vida do passado, que hoje está provavelmente obsoleto. Cabe a você tomar nota do que é bom para você e do que não é. Você não é o prisioneiro dos sistemas nos quais você cresceu. Você só vai ficar prisioneiro se você não fizer nada a respeito!

Então ame-se completamente, mesmo se você é obeso, zarolho ou careca. Altere seu nome ou primeiro nome, se achar necessário. Sua vida pertence a você. Você não tem que desistir do seu poder pessoal em nome desta ou daquela crença. Você pode superar tudo isso se quiser. Querer é poder!

Então, qual é essa palavra que explicaria a miséria e a utopia desse mundo? Essa palavra é: DUALIDADE. Vivemos em um mundo polarizado, um mundo onde uma coisa e seu oposto existem ao mesmo tempo. Se houver um “+”, haverá um “-”. O universo que conhecemos é apenas um desequilíbrio permanente que leva a um equilíbrio de vida, de mudança.

Quando você anda, parece que você está em equilíbrio, quando, na verdade, é apenas o resultado de uma sucessão de desequilíbrios dentro de um movimento. A vida existe apenas através do movimento. Tudo é movimento, caso contrário, tudo estaria congelado e não estaríamos aqui para falar sobre isso.

Nós buscamos a paz porque existe guerra e insegurança. Nós desejamos o dia, a luz, porque existe a noite e a escuridão. Nós imploramos para receber amor porque estamos cheios de medos. Nós gostamos da intimidade porque a desconfiança existe. Nós gostamos de pessoas honestas porque existem muitas que não são.

Seu livre-arbítrio é exercido apenas entre a escolha de uma polaridade sobre a outra. Então, ame a si mesmo primeiro e o mundo irá amar você. Mas se você odeia partes de você, essas partes continuarão se apresentando na sua frente pela simples força da atração.

O que você mais empurra e repele se apresentará primeiro. O que você mais teme acontecerá primeiro. Você é o criador das desgraças e das felicidades que acontecem na sua vida.

Se o seu pensamento ou sua ação se baseia no amor e no dom, então você receberá amor e gratidão. E você ficará feliz em estar aqui e agora. Por outro lado, se você pensar em desconfiança e suspeição e que os seus comportamentos são baseados no medo, então você receberá o mesmo em troca. As pessoas rejeitarão você e você se tornará azedo, ácido e um mendigão de amor (o que não ajudará a sua situação).

O amor se dá quando existe primeiro dentro de nós. Você não pode distribuir o que você não tem. Então, se você colher insultos, feridas da alma, saiba que isso é o que você oferece aos outros. De fato, nós não podemos receber insultos quando distribuímos elogios e você não pode receber feridas de alma quando você respeita e ama as pessoas pelo que elas realmente são.

A lei da atração e da ressonância funciona na sua capacidade máxima, e confie em mim, esqueça essa ideia que tem um Deus que te julga porque, francamente, ele não vai te amar mais quando você fizer o bem, e ele não vai te amar menos quando você cometer erros, pois Deus não coloca nenhuma condição no amor que ele dá. Ele te ama simplesmente porque você é Ele!

Reconheça sinceramente que é você quem decreta suas escolhas, que é você quem cria seu mundo. Claro que às vezes, não podemos escolher a estrada. Quando a linha reta se torna uma curva, somos nós que tomamos a escolha de continuar em linha reta e de bater na árvore no acostamento, com todos os desgastes associados, ou de virar o volante para seguir a curva da estrada.

Essa estrada é o seu destino, e esse destino só nos quer bem. Ele simplesmente quer que você descubra paisagens, países que você ainda não conhece, então não seja teimoso, querendo sempre permanecer no caminho de sua compreensão humana limitada.

Aceite o fato que a sua Pequena Voz interior é a sua melhora amiga e só lhe quer bem. Mas fique vigilante porque a voz da sua mente, do seu ego, está imitando há muito tempo a voz do seu coração. É verdade, no começo fazer a diferença entre as duas é difícil. Através do aprendizado e do número de vezes que precisamos ir à oficina para concertar nosso veículo, adquire-se uma certa experiência, mas ainda é preciso lembrar disso!

É a mesma coisa lá fora, tem picaretas profissionais, então não seja ingênuo no ponto de acreditar que não tem nenhum dentro de você. Tenha a mesma vigilância que na hora de dirigir seu carro. O álcool não é seu amigo. O telefone também não. E em relação à velocidade, inúmeros “jovens” morrem todos os dias, ou ficam simplesmente incapacitados para a vida toda, porque queriam viver a 200 km por hora!

Ajuste-se ao terreno e às condições meteorológicas do momento. Nem todo mundo pode ser o Ayrton Senna. Para poucos escolhidos, milhares de pessoas perdem sua vida ou tiram a vida de outras pessoas porque seu ego, sua pequena voz mental, reinava como ditador absoluto.

Se você não quer mais sofrimento, escolha o caminho do discernimento, olhando primeiro em você mesmo e respondendo corretamente às mensagens que surgem em você. Torne-se capaz de discernir aquelas que nascem do medo para poder entendê-las e, assim, conhecê-las melhor e desconstruir o patchwork que herdamos dos nossos ancestrais, da nossa cultura e de todos os ensinamentos errôneos que nos habitam.

Se você precisar de um esclarecimento sobre a questão do medo e do amor, aqui estão algumas pistas.

O Medo O Amor
O medo é a energia que :
contrai, fecha, atrai, esconde, amontoa, fere et foge.
O amor é a energia que :
se expande, se abre, envia, revela, compartilha, cura e fica.
O medo embrulha nossos corpos em roupas O amor nos permite ficar nus
O medo agarra-se a tudo que possuímos O amor dá tudo o que temos
O medo retém O amor acalenta
O medo empunha O amor deixa ir
O medo traz rancor O amor alivia
O medo ataca O amor concerta

Há uma probabilidade que você não concorde totalmente com essas características; se for o caso, pergunte a si mesmo por que. Há uma boa chance de que o medo esteja na origem da sua reação, porque graças a essa tabela você finalmente poderá acabar (ou pelo menos pô-lo no seu lugar) com este usurpador, este imitador que fez você passar por tantos momentos ruins.

Só você tem a força necessária para fazer esses trabalhos domésticos de limpeza; a menos que você prefira continuar dirigindo em um carro que nunca foi limpo desde que você o adquiriu. Neste caso, não reclame dos cheiros, do rádio de baixa qualidade e da bagunça. É você quem é o dono da casa!

Laurent DUREAU

Artigo originalmente publicado no blog Booster Votre Influence no dia 23 de janeiro 2008 e atualizado no blog 345D no dia 15 de maio 2012. Traduzido do francês.

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