Para que serve ser um humano?

Além do aspecto reprodutivo da humanidade, que deixa automático tornar-se um ser humano, e não uma cabra ou um porco, qual é a nossa verdadeira função? É comer, festejar, fazer sexo ou filosofar?

A quase totalidade da humanidade não sabe por que nasceu e entende menos ainda por que tem que suportar sofrimentos e dores variadas. Parece que o bom Deus não é tão bom assim. Porém, se você soubesse…

Para dar seguimento aos meus artigos anteriores sobre a diferença entre a alma e o Espírito, é bom ter em mente o verdadeiro motivo da nossa jornada na Terra. Nós podemos entender as encarnações. Podemos entender que estamos em um ciclo de experimentação afim de saber e ser.

Podemos entender tudo isso e aceitar todas as misérias, todos os sofrimentos, as carnificinas, todas as doenças, todas as epidemias, todas as mortes inimagináveis, mas ainda assim permanecemos na incompreensão quando se trata desse processo de evolução.

Por trás de todas essas coisas, esconde-se uma outra ainda mais profunda, mais vital e mais fundamental. É a essência mesma da nossa verdadeira existência. É o resultado último do que um ser humano pode fazer.

Então, o que pode ser? Ter relações humanas perfeitas, tornar-se um mestre, ser um exemplo como alguns profetas? Não, nada disso, porque esses exemplos são apenas metas quase inatingíveis para a maioria de nós.

Esta é a principal razão pela qual a maioria desiste no meio do caminho da iluminação. Porque este processo de melhoria contínua requer demasiado esforço ou sacrifício para alguns. No entanto, a raiz da palavra “sacrifício” vem de “sagrado”…

Então, o que o comum dos mortais pode fazer para cumprir sua função divina de forma adequada sem necessariamente passar pelo caminho dos “santos”? A resposta é a Trindade.

E o que é, essa Trindade? É aquela famosa Trinidade martelada na igreja, com essa história do Pai, do Filho e do Espírito Santo? É mais ou menos isso, visto de um certo ângulo, mas essa noção ainda permanece demasiadamente tingida de religião para ser universal e compreendida por aqueles que não conhecem a Bíblia.

Vimos que o Espírito criou o material para experimentar o que ele é. Mas, para criar a matéria, ele teve que criar a dualidade. Isso significa que quando você está em um mundo de matéria, você está necessariamente sujeito à dureza de uma polaridade em relação à outra.

Em um mundo de dualidade, tudo parece binário. Se não for branco, então é preto. Se for dia, não é noite, etc. Se eu for homem (biologicamente), não sou mulher. Se eu for um bebê, eu não sou um adulto…

Em suma, durante o dia, a cada respiração e quase cada pensamento, estamos constantemente julgando, avaliando, comparando a fim de separar o trigo do joio. Sem essa atividade, nós morreríamos muito rápido, porém esse questionamento permanente ao mesmo tempo nos faz envelhecer mais rápido do que deveríamos…

Então onde está a solução? Ela está no elemento suplementar à dualidade. Ou seja, nossa capacidade de dar um passo atrás e ficar além da dualidade, fora da dualidade, do lado da dualidade, mas não mais dentro dela.

Essa capacidade de ser o observador que unifica as dualidades que nos cercam nos permite alcançar esse estado conhecido como “consciência da unidade”. Este último é apenas a emanação da nossa própria essência divina. Ser Um no que poderia parecer o caos para nós.

O caos é apenas a soma da dualidade jogando em vários níveis que escapam ao nosso entendimento quando não conhecemos as regras. Nos parece desordenado quando, na verdade, também é ordenado, mas não totalmente, porque tudo está em perpétua mudança.

A Criação como a vemos é apenas uma mistura de coisas que interagem em diferentes escalas de tempo. Entender isso já é bom, mas querer saber de todos os detalhes é quase impossível para a nossa mente.

Então, qual é a essência da existência do ser humano? É somente saber andar de bicicleta…. É uma resposta que pode parecer estranha, mas é verdade!

O que é o ciclismo, se não compensar desequilíbrios graças a outros desequilíbrios a fim de alcançar um equilíbrio que nos servirá?

Em outras palavras, o ser humano está aqui na Terra para experimentar sua capacidade de permanecer equilibrado em um mundo que está em desequilíbrio perpétuo.

Em um mundo de dualidade, ele é capaz de aprender a Unidade. Ao descobrir a Unidade, ele redescobre a sua capacidade divina original: a de ser o criador de todas as coisas e cuja eternidade é a sua vida diária.

Quando um indivíduo atinge essa capacidade de percepção distante enquanto ainda está dentro da dualidade, ele sabe, ele entende, ele sente que ele é mais do que o seu corpo, mais do que a sua vida, mais do que uma encarnação, até mais do que um ciclo de encarnação. Ele sabe que ele É o que ele sempre foi, é e será.

A partir deste ponto, não só de vista, mas também de ser, a vida nunca mais o machucará como antes. Ele terá a sabedoria de aguentar o que ele não pode evitar, de amar tudo que ele possa amar e de perdoar qualquer coisa que pareça imperdoável aos olhos humanos.

Em todas as Criações de todos os mundos, de todos os universos e todas as dimensões, o ser humano é considerado com benevolência e muito respeito porque, ao contrário de todas as Criações, ele é o único que tem que viver em vários planos de existência de uma vez.

Em outros artigos, eu já falei sobre os 7 planos de harmonização; é disso que eu estou falando. Esses 7 planos são na verdade 7 planos de consciências diferentes e nós temos que vivê-las ao mesmo tempo.

Não importa o que você experimenta e o que acontece com você, porque a sua verdadeira missão tem a ver com como você reagirá. Afinar-se interiormente e manter um equilíbrio interno inabalável enquanto somos atormentados por todos os lados, esse é o nosso verdadeiro desafio. Nada mais que isso!

Fique permanentemente centrado para não perder o equilíbrio. Não importa o terreno, a queda, as condições climáticas e emocionais, nossa “bicicleta” interior deve continuar a andar (com alegria e bom humor, se possível!).

Então não importa o número de pancadas, o número de vezes que caímos, o número de feridas na cabeça, nos joelhos, nas mãos, nos cotovelos, no nosso ego ou no nosso coração; o principal é manter o sorriso no rosto, aconteça o que acontecer!

Veja como uma criança é feliz quando consegue andar de bicicleta pela primeira vez sem as rodas do lado. Ela é radiante! Radiante vem de “ra”, a luz divina.

Então, como presente de Natal, lembre-se de que a vida é acima de tudo um passeio de bicicleta na dualidade. Permita-se tomar um passo para trás regularmente, para relativizar o que acontece com você no momento, especialmente quando não é bom.

O objetivo é manter o equilíbrio, aconteça o que acontecer. Você saberá então o que a palavra “harmonia” significa. É a palavra que expressa que toda vibração pode estar no lugar certo a fim de criar uma obra-prima que alcançará nosso coração e nossa divindade.

Assim, quando um ser humano se harmoniza, significa que ele tem flexibilidade, amor e sabedoria suficientes para fazer com que os 7 planos que o habitam possam coexistir sem gerar danos colaterais, mesmo estando sempre sujeitos a um mundo de dualidade e, portanto, a mudanças permanentes.

Então que a harmonia esteja com você, porque é o propósito da sua vida aqui, agora na Terra e para todas as eternidades para vir.

Laurent DUREAU

Artigo originalmente publicado no blog Booster Votre Influence no dia 24 de dezembro 2008 e atualizado no blog 345D no dia 6 de junho 2012. Traduzido do francês.

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