Qual é a diferença entre a Alma e o Espírito? (1/2)

Me fazem essa pergunta mais e mais frequentemente. É verdade que a Trindade Corpo-Alma-Espírito é conhecida por todos. O aspecto do corpo é geralmente compreensível para todos, porém os aspectos da alma e do espírito aparentemente dão mais trabalho.

Tentarei descrever essas diferenças, com a dificuldade do vocabulário humano bastante limitado. De fato, o Espírito é, por definição, o que está no nascimento de tudo e esse conceito engloba realidades que vão muito além do limiar da nossa compreensão.

No entanto, não é proibido tentar fazer uma descrição básica. Em primeiro lugar, o Espírito é a consciência, isto é, um estado de ser e não uma manifestação física. O estado de ser que o caracteriza é conhecido como Paz.

A Paz é a ausência de choques, de atritos, de restrições, porque está fora da matéria. Por causa disso, o Espírito não conhece o tempo e o espaço. Ele É um imobilismo totalmente consciente da menor vibração que poderia tocar sua extrema sensibilidade.

É um estado de consciência onde a unidade reina e onde a bem-aventurança é onipresente. É um estado de nirvana onde tudo é consciência, onde tudo é possível e onde tudo pode acontecer instantaneamente. Nossos ancestrais, ao querer lhe dar um aspecto material, o chamaram de éter.

Deste éter, a matéria foi criada. Esta matéria introduziu a noção de espaço porque a energia, ao seu redor, começou a delimitar áreas distintas. Essas densidades de energias diferentes criaram movimentos e, portanto, sequências que chamamos de tempo.

Essa noção de espaço-tempo pertence ao mundo da matéria, da densidade. Ela vem do espírito. É uma manifestação do Espírito, mas não é o próprio Espírito. É uma separação consciente do Espírito, porém a matéria permanece inconsciente disso.

As diferenças entre as densidades levaram a atritos que chamamos de som. Este som é o som primordial. “No princípio era o Verbo”, isto é, a música original daquilo que decidimos chamar de Deus.

De fato, o Espírito, Deus, a Força, a Fonte são apenas denominações diferentes daquilo que está na origem de tudo. Ele é pura consciência, em todos os lugares ao mesmo tempo, porque ele permeia toda a Criação. Ele também é totalmente atemporal e não faz a experiência da emoção, do pensamento, do sofrimento, do Mal, do Bem, da morte ou da vida.

Ele ESTÁ fora do campo da Criação e de tudo o que pode acontecer dentro desse último. Ele é pura consciência na eternidade absoluta do que é. Em outras palavras, o Espírito não é atingível em termos de distâncias físicas, de emoções ou de pensamentos.

Ele absolutamente não interage com a dualidade. Ele está, portanto, livre de tudo e não precisa responder perante ninguém ou seguir nenhum tipo de filosofia. Podemos, portanto, dizer que ele é completamente neutro e insensível ao mundo da Criação.

Essa é a principal razão que o levou a criar a matéria, para experimentar o que ele é. Porque é legal ser onipresente e onisciente, mas ao longo prazo (mesmo que o tempo não exista) ficamos um pouco entediados…

Foi assim, com a intenção de conhecer a si mesmo, que ele gerou a Criação, isto é, um mundo de matéria baseado na dualidade. A interação entre um polo “positivo” e um polo “negativo”, entre uma energia masculina e uma outra feminina, entre o elétrico e o magnético, entre a luz e a não-luz, entre o amor e o não-amor, entre o Conhecimento e a ignorância.

A criação nasce, então, da sua vontade de experimentar o que ele é, e também o que ele não é. Vasto programa, mas não impossível, pois ele pode fazer tudo! Portanto, essa pura consciência global viu em si mesma intenções, desejos de agir mais e mais à medida do desenrolar da sua Criação.

Foi assim que, gradualmente, partes da sua consciência se cristalizaram sob a força da intenção e se desligaram da sua pura Consciência. Foi assim que as almas nasceram. É também por isso que cada alma tem um tal desejo de voltar para Deus, para a Fonte, porque saindo de casa, ela perdeu muitas vantagens, e conserva para sempre esta memória de um mundo de eternidade, de paz e de amor.

Experimentando o mundo da dualidade, a nova alma ganhou dentro dela mesma uma ferida indelével: a de seu nascimento e da sua separação do Todo. Mas, paradoxalmente, é esse desejo de experimentar, agir, entender, viver e inventar que realmente deu origem a ela.

Então, no começo, algumas almas se encarnaram em elementos. O primeiro passo foi o da matéria-prima, o que chamamos de reino mineral. Depois de um tempo de experimentação, foi criado o mundo vegetal que era o elo entre o Céu e a Terra, entre o espírito e a matéria.

Depois, este mundo vegetal tomou o desejo de ter liberdade de movimento e os insetos nasceram. Começou com as patas (a Terra) e depois as asas (o Céu), e depois na água (que vai, no processo de chuva e de evaporação, do Céu à Terra, e vice-versa, graças ao Sol, símbolo do Pai e do Espírito).

Até este nível de experimentação, a alma permanecia uma alma de grupo, global como seu Pai (o Céu, o Espírito) e em concordância com sua Mãe (a Terra, a Matéria). No entanto, esta criação, embora equilibrada, permanecia “fria”.

Alguns bichos comiam os outros sem fazer perguntas e tudo parecia se alinhar em um modo operacional perfeito. Tudo tinha um “sangue frio”, e foi então que foi decidido criar o “sangue quente”, isto é, introduzir uma outra forma de experimentação chamada “emoções”.

Assim nasceram os mamíferos de sangue quente e, pouco a pouco, no mundo animal chegaram algumas almas que queriam muito ir ainda mais longe. A alma da humanidade nasceu assim, mas com a possibilidade de experimentar individualmente cada experiência.

A princípio, o homem pretendia ser o guardião da Criação, mas fatos externos (outras energias de experimentação oriundas de outros lugares) o desviaram completamente da sua trajetória inicial. (Voltarei ao assunto nos artigos a seguir).

Assim, retornando ao assunto da alma “humana”, que parece fornecer para cada um sua liberdade de ação, essa última é, na verdade, apenas um apoio psicológico e não-físico da experiência. É uma forma de energia proveniente da Fonte, mas que não é estritamente falando feita de matéria.

É um tipo de memória onde as experiências serão registradas. É uma forma densificada da Consciência original (o Espírito) que virá se “encarnar” em um corpo de matéria para registrar o que está acontecendo nele.

A alma é assim separada do Espírito para fazer a experiência da matéria. Isto explica, entre outras coisas, que quando um leão come uma gazela, ele se sente no lugar certo, fazendo a coisa certa, enquanto um ser humano não enxergará necessariamente com tanta paz, mesmo se ele disser que isso o agrada.

Eu digo isso para fazer você entender que o ser humano, possuindo uma alma individual, também tem uma consciência individual. Isto é realmente o que o torna tão diferente das outras formas de vida da Criação, porque ele possui dentro dele, de fato, o poder de Deus, da Fonte.

Através do poder da sua intenção, ele tem a capacidade de criar e decretar o que ele quiser. Apenas olhe ao seu redor para ver como é verdade mesmo que somos Criadores com os plenos poderes.

Você já viu um gato construir um telescópio, inventar a bomba atômica e falar sobre obras de arte em um museu? Você o viu ir para a guerra, inventar a Cruz Vermelha, criar as fundações de uma casa enquanto fabrica bombas de fragmentação?

Essa é a diferença entre a alma e o espírito. Essa primeira vem experimentar completamente com o poder do outro. Uma quer viver enquanto o outro é. Uma está cheia de esperança, de paz, de conquistas enquanto o outro não dá a mínima para essas coisas.

Uma quer liberdade, igualdade e fraternidade, enquanto o outro já tem tudo isso. Uma quer se livrar da sua culpa, das suas faltas, das suas imperfeições, enquanto o outro é perfeito.

Uma quer amor, relações verdadeiras, intimidade, enquanto o outro é amor, sinceridade, transparência e universalidade combinadas. Uma é cheia de esperanças, dúvidas e emoções, enquanto o outro aprecia tudo o que é sem julgamento, sem preconceito, sem estado de alma e sem emoção.

Uma quer se tornar perfeita enquanto o outro já é perfeito! Uma quer voltar para casa, o outro já está em casa. Uma quer existir enquanto o outro já é Tudo. Uma é imortal enquanto o outro é a Eternidade.

Visto de outro ângulo, isso é o que faz a diferença entre a Alma e o Espírito:

  • Um é o Criador enquanto a outra é a Criatura agindo no mundo da Criação.
  • Um está em Paz enquanto a outra está em Alegria ou em desespero.
  • Um é perfeição enquanto a outra está em busca da perfeição.
  • Um sabe enquanto a outra é ignorante.
  • Um é amor enquanto a outra é só medo.
  • Um é permanente, enquanto a outra é temporária, porque mais cedo ou mais tarde retornará à Fonte.

Em suma, como você pode ver, a Alma e o Espírito são de naturezas diferentes, porque eles não têm o mesmo papel. Entender isso já é um grande passo para a frente. No próximo artigo, eu vou descrever como o Espírito comunica com nós e como podemos fazer a distinção entre a voz da nossa mente e a do nosso verdadeiro Germe de Espírito.

Na verdade, muita confusão permanece neste nível porque, por exemplo, o espírito não é nem um pouco localizado dentro da nossa cabeça! Mas vamos ver isso no próximo episódio, onde eu vou falar sobre o lado prático disso. Nada como bons exemplos da vida cotidiana…

Laurent DUREAU

Artigo seguinte:  Qual é a diferença entre a Alma e o Espírito? (2)

Artigo originalmente publicado no blog Booster Votre Influence no dia 5 de dezembro 2008 e atualizado no blog 345D no dia 4 de junho 2012. Traduzido do francês.

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